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lenda de carvalho de egas

Após a morte do Conde D. Henrique, D. Teresa confia a educação de Dom Afonso Henriques a Egas Moniz, nobre muito respeitado, leal e corajoso, gente de bem e de saber, proprietário abastado em Paço de Sousa, Penafiel e Amarante, governador de Lamego, de São Martinho do Lima e de Sanfins do Douro, tudo quanto se podia desejar para aio do futuro dirigente do Condado Portucalense.

Mas cedo Dom Afonso Henriques mostrou interesse pelo manejo das armas e acalentava o desejo de alargar o condado, conquistando terras e mais terras aos mouros. Para isso teria que se preparar para combater, conquistar os nobres para se aliarem a ele nesta causa, prometendo-lhes terras e poderes, no que era apoiado por Egas Moniz, “o Aio”.

Mas havia algo que feria o orgulho patriótico de Dom Afonso Henriques, que era ter de prestar vassalagem a Dom Afonso VII de Castela e Leão. Então, em 1130 invade a Galiza e repudia o acto de vassalagem. Egas Moniz vê-se assim numa situação complicada, não querendo desapoiar Dom Afonso Henriques, mas também não querendo ficar por homem sem palavra, que era coisa menos digna dos tempos de então, pois que em 1128 ficou como fiador de Dom Afonso Henriques em como este prestaria vassalagem a seu primo.

Egas Moniz tomou uma decisão digna de ir-se entregar ao rei de Castela e Leão para fazer o que lhe aprouvera. Assim, com sua mulher e filhos, descalços e de corda ao pescoço em sinal de humildade e com todo o seu séquito de criados e vassalos, partem para o vizinho Reino de Leão a fim de resgatar a palavra dada e não cumprida. Perante tamanho acto de nobreza, o rei Dom Afonso VII libertou-o da promessa e mandou-o em paz.

De volta a Guimarães, já cansado de tão longa jornada, descansaram à sombra de um grande carvalho, de porte majestoso. Ali armaram as tendas para pernoitarem. Foi então que Egas Moniz deu graças por tão frondosa sombra os acolher e reconfortar. Logo foi sua intenção deixar marcado tamanho agradecimento, para tal mandou perguntar como se chamava o povoado circundante, tendo-lhe sido comunicado tratar-se de uma terra que dava pelo nome de Lisboinha.

 – Pois de hoje em diante chamar-se-á Carvalho de Egas, ide e dizei que é por ordem de Egas Moniz.Lendas de Carvalho de Egas-2

E assim passou a ser. Carvalho de Egas ostenta o nome de Egas Moniz e do carvalho que lhe deu sombra. Ainda hoje no local existe um carvalho que na memória dos residentes sempre se lembram de ser assim, mas contam os mais velhos, que seus avós lhe diziam ter existido ali um frondoso carvalho derrubado por um ciclone, que à sua passagem arrastou também os telhados de algumas habitações.

No local remoçou um rebento do anterior, hoje tido como símbolo da aldeia, é acarinhado por todos e a sua história é contada de geração em geração. História ou lenda? Vá-se lá saber o que a verdade encerra. Para nós esta é que é a verdade. Carvalho de Egas, a do Aio.


Egas Moniz de corda ao pescoço perante Afonso VII de Castela e Leão, num painel de azulejos na Estação de São Bento, figura profundamente ligada à lenda de Carvalho de Egas, aldeia do concelho de Vila Flor.